Ribeirão Preto – Ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, o
coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (GV Agro) Roberto Rodrigues,
afirmou nesta quarta-feira, 17, em entrevista ao Broadcast Político,
serviço de notícias em tempo real Agência Estado, que Aécio Neves (PSDB)
é o candidato à Presidência da República que mais representa e se
identifica com o setor. E, por isso, tem seu apoio.
“O candidato que olhou (para o agronegócio), que tem compromisso, foi
o Aécio Neves, até agora”, disse Rodrigues, que declarou voto no
tucano, ontem, em Ribeirão Preto, no interior.
Segundo ele, porém, também há quem apoie Marina Silva (PSB) e Dilma
Rousseff (PT). O segmento sucroenergético, por exemplo, está com a
ex-ministra. Já os agricultores dependentes do crédito rural e de
recursos do Plano Safra têm mais afinidade com a presidente.
Rodrigues criticou o fato de Marina, ao assumir a vaga de Eduardo
Campos, morto em 13 de agosto, ter ressuscitado dois pontos “cinzentos”
para o agronegócio: a revisão dos índices de produtividade para fins de
reforma agrária e o desmatamento zero. “Marina ressuscitou o famoso
índice de produtividade, que não faz mais sentido. E o desmatamento zero
é um ponto muito forte. Eu combato o desmatamento ilegal, mas é
perfeitamente possível abrir áreas para a produção de alimentos.”
O ex-ministro lembrou que teve divergências com Marina, quando ela
era titular da pasta do Meio Ambiente, no projeto de lei que liberou o
plantio de alimentos transgênicos no País. Rusgas surgiram também na
aprovação do Código Florestal. “Mas Marina flexibilizou bem e não há
tema que seja tabu e que seja resistível a ela. Não vejo dificuldade
contentora em Marina e ela está mais flexível”, avaliou.
Camisa de força. Ao declarar voto no candidato do
PSDB, Rodrigues afirmou, no entanto, que as instituições do agronegócio
não devem formalizar apoios a candidatos para não criar uma “camisa de
força” nas associações. “Mas o dirigente tem todo o direito de declarar
voto e não vejo problema nisso”, afirmou. “Eu já declarei voto em Aécio
Neves.”
Rodrigues coordenará o 3.º Fórum Nacional do Agronegócio, sábado, em
Campinas, e afirmou que o evento não pretende discutir com os
representantes dos candidatos os problemas já conhecidos, mas traçar uma
linha de ação para o setor a partir do começo do novo mandato. “Não
adianta discutir logística e seguro rural, que são problemas conhecidos
de todos e precisam de ação. O que queremos discutir são coisas práticas
para o produtor rural.
O ex-ministro considera que o aumento da oferta e dos custos de
produção, com a consequente queda no preço das commodities, farão com
que a safra 2015/2016 seja de margens negativas e de risco de
inadimplência, o que torna necessária a adoção efetiva do seguro rural,
sistema ainda incipiente no País. “A safra não será um desastre ainda
porque vamos equilibrar queimando gordura das boas safras passadas, mas
poderemos ter problemas em 2016”, disse.
Como presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de
Cana de Açúcar (Unica), Rodrigues avalia que a perspectiva é positiva
para o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
(Cide) sobre a gasolina, o que melhoraria a renda do produtor e a
competitividade do etanol. “Nada disso, porém, significa que os
investimentos voltarão. É preciso conversar e definir uma estratégia
permanente para a bioenergia brasileira.”
Fonte: GUSTAVO PORTO – O ESTADO DE S. PAULO


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